A necessidade de otimizar cada minuto do dia e a sensação de estar em dívida com a própria rotina são características cada vez mais comuns para a população. A exaustão decorrente dessa busca pela produtividade extrema pode ser uma porta de entrada para transtornos mentais e condições como o estresse crônico e o burnout.
Em entrevista à CNN Brasil, o psicólogo do trabalho Lucas Freire, autor do livro Exaustos, alertou que a sociedade contemporânea tem transformado a lógica do esforço em algo sutil e cotidiano.
Ele explica que há uma diferença entre o esforço e a exaustão. O esforço, por si só, pode reenergizar as pessoa, mas o esforço excesisvo e a sobrecarga roubam o tempo e o lazer de forma contínua.
Nós estamos a serviço de uma esteira contínua de produtividade e desvaziamento da experiência. Isso se tornou um elemento cultural de uma era. Hoje em dia, tudo o que não aparenta ter uma função produtiva é rechaçado.
Lucas Freire, psicólogo do trabalho
O psicólogo elenca como um dos principais motivos do esgotamento o que ele chama de “metrificação da vida”. O fenômeno se baseia na aplicação de metas, números e indicadores para medir tanto o trabalho quanto momentos que deveriam servir como formas de lazer e relaxamento.
Enquanto realiza atividades que seriam simples e divertidas, o cérebro continua trabalhando sob pressão.
