O preço do feijão começou novamente a reagir no campo. É preciso dizer com clareza: já entramos em um período de inflação do prato feito. O feijão, por exemplo, está no maior preço registrado para um mês de setembro nos últimos dez anos, pelo menos.
Ainda não há uma explosão generalizada na gôndola, mas quem acompanha esse mercado sabe que a inflação da comida não começa no supermercado. Ela surge muito antes, quando o produtor decide se vai plantar, quanto vai plantar e se conseguirá assumir os riscos da atividade.
É exatamente aí que o Brasil está falhando.
Enquanto Brasília consome energia numa guerra aparentemente interminável entre direita e esquerda, a produção de alimentos básicos segue, em grande parte, entregue à própria sorte. O feijão talvez seja o melhor exemplo.
Não estou dizendo que não existe Plano Safra ou crédito rural. Existem. O problema é a falta de uma política consistente que responda à pergunta central: quem continuará produzindo os alimentos que o brasileiro precisa colocar diariamente no prato?
A soja tem mercado mundial. O milho tem múltiplos destinos. As grandes commodities contam com escala, liquidez e cadeias estruturadas.
E o feijão?
O produtor precisa decidir praticamente sozinho:
Planto ou não planto? Vai chover? Conseguirei crédito? O preço daqui a três ou quatro meses cobrirá os custos? Se houver seca, excesso de chuva ou geada, estarei protegido? Se a produção for grande e o preço desabar, o que acontecerá comigo?
