*Por Letícia Souza
Durante mais de duas décadas, a jornada de compra no e-commerce seguiu um roteiro previsível: o consumidor digitava uma palavra-chave no buscador, navegava por dezenas de guias abertas no navegador, comparava preços manualmente e filtrava opções até tomar uma decisão. Essa dinâmica, baseada na busca ativa e na paciência para garimpar ofertas, está passando por uma transformação profunda. Estamos presenciando a transição de um e-commerce estático de vitrines digitais para uma era dominada por ecossistemas de decisão algorítmica e comércio agêntico.
A inteligência artificial deixou de ser apenas aquele algoritmo silencioso no rodapé do site que sugere mercadorias complementares. Hoje, a tecnologia começa a atuar como um verdadeiro personal shopper digital, um assistente inteligente capaz de compreender intenções complexas, filtrar dados em tempo real e guiar o cliente do primeiro desejo ao fechamento da compra.
Um estudo global da Softtek, multinacional de tecnologia, revela a velocidade dessa mudança: o tráfego direcionado por assistentes de IA para sites de varejo cresceu impressionantes 4.700% em apenas um ano. Mais do que a quantidade de acessos, o comportamento desse usuário impressiona. Quem chega via recomendação de IA passa 32% mais tempo nas páginas, consome 10% mais conteúdo e apresenta uma taxa de rejeição 27% menor comparada ao tráfego tradicional.
O impacto financeiro dessa mudança será colossal.
