A Polícia Federal concluiu que um grupo ligado ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro obteve informações de processos sigilosos do MPF (Ministério Público Federal) por meio de logins funcionais de servidores do órgão. Os achados constam de relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e tornado público nesta 6ª feira (11.set.2026) por decisão do ministro André Mendonça.
O documento detalha como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, atuava como intermediário entre Vorcaro e sistemas internos do MPF. Mourão se enforcou na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março de 2026, logo depois de ser preso na operação Compliance Zero, e teve a morte confirmada 2 dias depois.
Segundo a investigação, Mourão integrava o núcleo denominado A Turma, estrutura apontada como milícia voltada a monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações sobre o banco. A PF aponta que ele recebia R$ 1 milhão por mês pelo trabalho, que envolvia obtenção de informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês.
Em junho de 2024, Mourão enviou a Vorcaro uma lista de nomes e empresas e informou que o ex-banqueiro poderia incluir outros “pra puxar os sigilosos”. Vorcaro foi consultado sobre quais documentos desejava receber. “Todos, obviamente”, respondeu. No dia seguinte, Mourão afirmou ter “acesso total e ilimitado” aos sistemas do MPF, ressalvando não saber por quanto tempo as consultas continuariam disponíveis.
