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Quando eu nasci Deus me deu o meu melhor amigo, o livro, que me acompanhou a vida inteira, ensinou-me tudo o que sei, os conhecimentos que adquiri e encheu os meus ócios com a beleza e a força da literatura. Até hoje, nas águas tranquilas dos meus 96 anos, ele não me larga, nem eu largo a ele. O costume tornou-se a minha própria vida. Sempre digo que dois caminhos alimentaram meus dias: o da literatura e o da política. A literatura foi a vocação, e falar de literatura é falar do livro, dessa segunda natureza que me alimentou a cabeça.
A política entrou na minha vida pelos desafios que passei a viver e de que me tornei parte, querendo enfrentá-los para melhorar a sorte do povo dos municípios em que nasci, onde cresci e nos quais lutei. Meu desejo e minha determinação eram aliviar o sofrimento, que testemunhei na minha meninice, na adolescência e na juventude, e meus olhos viam as dificuldades, a pobreza e as injustiças no ambiente em que vivia. Depois, adulto, transportei a minha inconformidade para o Maranhão e, mantendo esta nobre ambição, tornei-me governador e creio ter feito um bom trabalho, separando a sua História em dois momentos, antes e depois de minha administração.
Finalmente, o destino me levou a decidir sobre políticas públicas e lidar com problemas nacionais maiores ainda, gigantescos, e lutar contra soluções demagógicas e simplistas para problemas difíceis e quase insolúveis. A História se contorcia.
