A Polícia Federal (PF) apontou em relatórios tornados públicos nesta sexta-feira (11) que Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores afastados do Banco Central (BC), atuaram de maneira reiterada como consultores informais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.
Segundo a PF, os dois servidores ofereciam orientação técnica, revisavam documentos que seriam enviados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e teriam repassado informações internas de caráter sensível ou até sigiloso.
Paulo Sérgio era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). De acordo com a PF, ele sugeria estratégias, antecipava posicionamentos internos do BC e orientava Vorcaro sobre argumentos que deveriam ser apresentados em reuniões com diretores e com o então presidente da autarquia, Roberto Campos Neto.
Em abril de 2025, Paulo Sérgio revisou um ofício que o Banco Master enviaria justamente ao Desup, departamento em que trabalhava. O documento respondia a uma cobrança do BC relacionada aos indicadores de liquidez da instituição. Segundo o relatório, o servidor recebeu a minuta e devolveu alterações sugeridas.
