A Polícia Federal concluiu que as compras de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB foram conduzidas com práticas de gestão fraudulenta. A conclusão consta de um laudo pericial produzido no inquérito que investiga as operações entre as duas instituições. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.
O laudo aponta um padrão repetido de decisões que enfraqueceu os controles do BRB e permitiu a continuidade das operações mesmo diante de alertas sobre riscos e problemas nas carteiras compradas.
A PF analisou 181 operações que somaram R$ 47,7 bilhões. Em 123 delas, o Banco Master aparece como vendedor das carteiras ao BRB, com R$ 31,7 bilhões pagos.
Um dos principais pontos levantados pela perícia é que o BRB pagou R$ 7,6 bilhões em 22 operações antes da conclusão de ao menos um dos pareceres técnicos que deveriam orientar as compras. Esse valor representa 43,41% do total desembolsado nas aquisições de carteiras de varejo analisadas.
Em um dos casos, o BRB fez um pagamento de R$ 209,3 milhões em 13 de novembro de 2024, enquanto a aprovação da Diretoria Colegiada ocorreu apenas no dia seguinte. A perícia também encontrou e-mails em que a liquidação de operações foi autorizada mesmo com documentos ou pareceres ainda pendentes.
